A guerra com o Irã... o primeiro trilionário do mundo... as
ações da SpaceX "rumo à lua" (e volta?)... e, como sempre, a ascensão
das máquinas de inteligência artificial...
Ainda nem chegamos à metade do ano, e as lembranças de
seis... nove... doze meses atrás já parecem relíquias de um passado pitoresco e
distante. Nesta Era da Abundância de Informação, onde a atenção reduzida reina
absoluta e a história é algo que cada geração ignora para repetir os erros do
passado, já estamos pensando na "próxima novidade"... seja lá o que
for.
Diante da incessante avalanche de eventos que invadem nossos
horizontes digitais e portáteis, é inevitável questionar se o tempo está
realmente acelerando. Ou se nós, meros observadores, estamos apenas
desacelerando. (Talvez um pouco de ambos?)
Podemos pensar de uma certa forma : o homem como medida
Não faz muito tempo, nossos ancestrais alfabetizados
costumavam contemplar com admiração o futuro distante, com visões do impossível
dançando em suas mentes. Lembramos de um programa de televisão de nossa própria
infância que apresentava carros voadores, esteiras rolantes nas calçadas e
outras previsões aparentemente improváveis.
E agora?
Será que nossos filhos nos presentearão com férias em Marte,
onde desfrutaremos de um coquetel "para nos desanimar" enquanto
observamos nosso planeta natal desaparecer atrás do admirável horizonte
vermelho?
Será que a raça humana terá criado seu primeiro
quadrilionário, com Elon Musk, perto dos 80 anos, tendo retornado ao grupo dos
meros trilionários ?
Talvez o próprio Estado já tenha sido domesticado até lá,
relegado a uma curiosidade histórica, algo que nossos descendentes estudarão em
museus virtuais, como fazem com as pirâmides e os faraós, perguntando-se como
seus ancestrais toleraram tais abusos de poder abjetos?
Será que o império americano ainda se manterá de pé... será
que sua moeda continuará a prevalecer... será que os ideais do Ocidente,
conquistados com tanto esforço, sobreviverão para lutar outro dia? Ou será que
a situação terá mudado?
Devemos começar a refletir sobre o próprio conceito de
tempo... esse trapaceiro insone e eterno. Talvez uma forma inovadora de pensar
sobre isso, dada a aparente aceleração dos eventos mundiais ao nosso redor,
seja medir nossa experiência em anos humanos vividos. Pense nisso como a soma
de todas as vidas humanas que estão sendo vividas em um dado momento.
Poderíamos chamar isso de "tempo civilizacional", por exemplo, ou
"anos humanos agregados".
Por exemplo...
Na virada do primeiro milênio, na véspera de Ano Novo do ano
1000 d.C., havia aproximadamente 300 milhões de seres humanos vivendo em nosso
planeta. Em outras palavras, poderíamos
dizer que, durante aquele ano civil, nossa espécie vivenciou cerca de 300
milhões de "anos humanos agregados", ou que cerca de 300 milhões de
anos se passaram em "tempo civilizacional".
Foi assim que vivemos, coletivamente, como espécie, durante
o ano 1000 d.C. Todos os nascimentos e mortes... as conquistas e os egos
feridos... da campanha mais grandiosa à ação mais humilde... dos primeiros
beijos à extrema-unção... a soma total de todos os medos, sonhos e desejos de
toda a raça humana: aproximadamente 300 milhões de anos humanos.
Agora, avançando para o presente, neste ano de 2026,
aproximadamente 8,2 bilhões de seres humanos farão a mesma jornada ao redor do
Sol e experimentarão a passagem do tempo, tanto individualmente quanto como
parte de um todo maior. Dessa forma, este ano civil acumulará cerca de 8,2 bilhões
de anos humanos, ou cerca de 27 vezes mais do que um único ano civil há apenas
um milênio.
E tudo isso acontece todos os dias... a cada hora... a cada
minuto.
Agora....o cálculo básico :
Considerando uma população global de aproximadamente 8,2
bilhões de pessoas, a humanidade gera cerca de:
8,2 bilhões de anos-humanos por ano civil
cerca de 22,5 milhões de dias humanos por dia
aproximadamente 940.000 horas humanas por hora
Consideremos por um último instante um dado: a cada segundo
que passa na Terra, a humanidade vivencia coletivamente cerca de 260 anos de
vida consciente.
Com tamanha avalanche de experiências humanas acumuladas...
essa vasta multidão de vidas se desenrolando em tempo real... é de se admirar
que o tempo civilizacional pareça estar acelerando a uma taxa exponencial?
Desde tempos imemoriais, o homem mede o tempo em anos do
calendário porque a astronomia era a melhor opção disponível... ou melhor, o
melhor campo de estudo do universo. Ao longo dos séculos, desenvolvemos também
outras ideias. A física tem o espaço-tempo... a geologia tem o tempo
geológico... a evolução tem o tempo genético... etc.
Mas a civilização não se baseia na astronomia, assim como um
atum não se guia pelo horário de funcionamento do restaurante de sushi local.
Ela se baseia, sim, na mente humana. E se isso for verdade, talvez a medida
relevante do tempo não seja tanto a órbita dos planetas acima de nossas cabeças
ou a idade das rochas sob nossos pés, mas sim o acúmulo da própria experiência
humana.
Isso significa mais médico... e mais congressistas.....mais
poetas..mais inventores geniais... e mais influenciadores fúteis.
Para onde tudo isso nos leva, ao paraíso... ou ao
purgatório?
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