sábado, 29 de janeiro de 2022

Uma próxima variante

 

O Sars cov-2 continua evoluindo para novas variantes . Seu genoma tem 30.000 letras (sequência de aminoácidos), o que significa que o número de possíveis novas combinações é incrivelmente grande.

Os virologistas tentam entender essas possibilidades em um cenário hiperdimensional de ”  picos e vales”. Os picos mais altos que o vírus atinge o torna mais “apto” ou melhor em infectar pessoas. Quanto mais ele se replica, mais mutações surgem, mais “picos” ele pode encontrar. Para que fosse possível prever o que o coronavírus poderia fazer a seguir,  precisaríamos ter algo que ainda não temos : tempo de conhecimento sobre sua evolução. Isso já aconteceu com a variante Omicron , que surpreendeu a todos.

O que podemos dizer é que a maioria absoluta das mutações tornará o vírus menos apto (seriam os vales) ou não terá nenhum efeito.Uma proporção muito pequena será de picos ( diante da Omicron é tentador pensar que uma variante possa ser ainda mais transmissível !). Não sabemos exatamente com que frequência eles aparecerão. Quando a Delta dominou o mundo, tivemos a sensação que superaria todas as outras linhagens e que a próxima variante seria originada dela. Então surgiu a Omicron vinda de uma direção que ninguém havia pensado em olhar.

Podemos ser surpreendidos novamente. O vírus pode se tornar mais virulento ou  mais transmissível. Com certeza descobrirá novas maneiras de escapar dos anticorpos que formamos com as vacinas ou com uma doença. O que torna as previsões sobre a evolução viral ainda mais difíceis é o próprio cenário de condicionamento do vírus que está sendo continuamente remodelado à medida que nossa mistura de imunidade muda por meio de vacinação e infecção por novas variantes. Ainda assim, é extremamente improvável que o vírus sofra tantas mutações a ponto de “zerar” a nossa imunidade contra infecções graves. À medida que mais e mais pessoas ganham imunidade pelas vacinas ou infecções, isso diminuirá os riscos de desfechos mais graves.

As variantes do coronavírus continuam nos surpreendendo porque seus saltos evolutivos não se parecem com nada que vimos antes. A Omicron acumulou mais de 50 mutações , com mais de 30 apenas em sua proteína spike. Dos quatro coronavírus sazonais que causam resfriados comuns, dois acumulam apenas 0,3 ou 0,5 mutações adaptativas por ano nessas mesmas proteínas. Um terceiro não parece mudar muito. O quarto é um mistério — não temos dados suficientes de longo prazo sobre ele. A gripe é capaz de grandes saltos por meio de um processo chamado rearranjo, que pode causar pandemias ( como o H1N1 fez em 2009 ), mas a gripe sazonal tem em média apenas uma ou duas mudanças por ano em sua proteína-chave.

Existem três explicações possíveis para o motivo pelo qual a evolução do SARS-CoV-2 parece tão diferente da de outros vírus. Em primeiro lugar, nós realmente não olhamos muito para outros vírus respiratórios. Mais de 7,5 milhões de genomas de SARS-CoV-2 foram sequenciados; apenas algumas centenas ou algumas dezenas para cada um dos quatro coronavírus sazonais foram. Um conjunto de outros vírus também causa resfriados comuns: rinovírus, adenovírus, parainfluenza, vírus sincicial respiratório, metapneumovírus e assim por diante. Estes também são mal avaliados. Mais de 100 tipos de rinovírus infectam humanos, mas não temos uma grande compreensão de como essa diversidade surgiu ou evoluiu ao longo do tempo. Em segundo lugar, o coronavírus pode realmente ter uma característica inerentemente melhor do que outros vírus na exploração de seu cenário de condicionamento. Ajuda muito ser um vírus de RNA – este adquire mutações mais rapidamente do que um vírus de DNA.. O vírus do sarampo leva, em média, 11 ou 12 dias entre infectar uma pessoa e essa pessoa infectar outra; o Sars cov-2 leva apenas 1,5 a três .Terceiro : o coronavírus era um novo patógeno para nós , humanos. Não tínhamos nenhuma imunidade prévia a ele. Isso significa que ele conseguiu infectar uma proporção impressionante de pessoas em todo o mundo em dois anos - muito mais do que os vírus mais antigos são normalmente capazes de infectar.Cada vez que infecta alguém, ele se copia bilhões de vezes. Algumas cópias criadas em cada infecção abrigarão mutações aleatórias; algumas mutações serão até benéficas para o vírus. Mas essas mutações podem ter dificuldade em se tornar dominantes.. Demora um tempo normalmente para uma mutação progredir em direção a um novo paciente. O individuo infectado transmite apenas um pequeno número de partículas de vírus para a próxima pessoa, então a maior parte dessa diversidade se perde. Em milhões de infecções, algumas dessas mutações são transmitidas e gradualmente se acumulam em uma linhagem viral. A Delta parece ter evoluído desta forma. Um grande número de pessoas infectadas abre a possibilidade de haver um número incomum de infecções crônicas de uma só vez, que os especialistas acreditam ser outro grande impulsionador da evolução viral. Em uma infecção crônica, ao longo de semanas e meses, essas mutações virais benéficas têm tempo para se tornar dominantes e depois transmitir.

As origens da Omicron ainda são desconhecidas. Pode ter evoluído de forma fragmentada como a Delta, mas alguns virologistas pensam que seus ancestrais teriam sido encontrados por meio de sequenciamento , se assim fosse. Existem duas outras possibilidades: uma infecção crônica em alguém imunocomprometido ou um reservatório animal onde ela teve tempo de evoluir e “voltou” para os humanos. Compreender as forças evolutivas que criaram a Omicron pode nos ajudar a entender o que é possível – mesmo que não possa nos dizer exatamente como será a próxima variante.

Tivemos sorte com a Omicron. O conjunto de mutações que torna a variante tão boa em infectar até mesmo pessoas vacinadas também a torna um pouco menos virulenta. Não há razão para que isso seja sempre assim. A virulência do coronavírus é um subproduto de dois outros fatores sob pressão evolutiva mais direta: o quanto é transmissível e o quanto ele é para escapar da imunidade anterior. O quão mortal é não importa tanto, porque o coronavírus geralmente é transmitido no início de uma infecção, muito antes de matar seu hospedeiro.

Em todo o imenso cenário de condicionamento do coronavírus temos muitos caminhos diferentes para maior transmissibilidade ou escape imunológico. Um vírus pode se replicar muito rápido, de modo que os pacientes eliminam altos níveis dele. A Delta parece fazer isso, e foi mais virulenta. Ou o vírus pode mudar para se replicar principalmente no nariz e na garganta, onde pode ser mais fácil de transmitir, em vez dos pulmões. Aa Omicron parece fazer isso e é menos virulenta. A próxima variante pode ir para qualquer um dos lados – ou pode traçar um curso totalmente novo. Uma versão do Omicron chamada BA.2 está agora superando a variante clássica do Omicron no Reino Unido e na Dinamarca, embora ainda não esteja claro qual a vantagem que pode ter.

A Omicron não tem apenas muitas mutações; tem algumas realmente incomuns. Treze das mutações se agrupam em locais onde os cientistas não viram muitas mudanças antes. Isso sugere que as mutações normalmente tornam o vírus menos apto e são eliminadas. Mas é possível que essas 13 mudanças individualmente mal-adaptativas podem ser adaptativas quando presentes em conjunto. Sob o ambiente de seleção ligeiramente diferente dentro de um paciente imunocomprometido ou de um reservatório animal, o vírus ainda pode permanecer – até encontrar a combinação certa de mutações para compensar as alterações anteriores. Na Omicron, esse processo remodelou partes-chave da proteína spike para que ela se tornasse menos reconhecível pelos anticorpos existentes e encontrasse uma estratégia diferente para entrar nas células.

Outros conjuntos de mutações podem interagir de maneiras desconhecidas para alterar as principais funções virais? Quase certamente. Só não sabemos ainda quais são. Teremos que esperar e assistir ao SARS-CoV-2 nos próximos anos e décadas.

Existem limites para o quanto transmissível um vírus pode se tornar. O sarampo, o vírus conhecido mais transmissível, tem um R0 de 12 a 18, em comparação com o R0 do Delta de 5. O R0 da Omicron ainda não está claro, porque muito de sua vantagem sobre a Delta parece vir da evasão de anticorpos existentes, e não da transmissibilidade inerente. Como o coronavírus tem cada vez menos pessoas não imunes para infectar, a evasão imune se tornará uma restrição cada vez mais importante em sua evolução. E aqui, o vírus nunca ficará sem novas estratégias, porque o que é ótimo está sempre mudando.

sábado, 22 de janeiro de 2022

A Omicron nos tornará imunes ?

 Estudos avaliam que em Outubro de 2021 , portanto antes da Omicron se espalhar pelo mundo , cerca de 86,2 % dos americanos tinham anticorpos contra o SARS cov 2 , provenientes da exposição à doença ou por causa das vacinas . Nestes dias em que a variante vem infectando mais de 800 mil pessoas por dia nos Estados Unidos , os que se mantém virgens de exposição ou vacinação são uma fração diminuta.

Na visão mais otimista de nosso futuro, esse aumento de pessoas com anticorpos pode ser visto como um ponto de virada na proteção ao nível da população de um país. O alcance da Omicron seria tão abrangente que estaríamos próximos do fim da pandemia.

Mas há razões para acreditar que esta previsão não se concretizará. Uma nova variante pode surgir exatamente por essa propagação desenfreada do vírus. E pode , semelhante à Omicron , escapar da imunidade formada. 95% de pessoas expostas não significam 95% de pessoas protegidas.Quando os países sairem dessa onda, cada um dos indivíduos estará em pontos imunológicos radicalmente diferentes – alguns mais fortes, outros mais fracos..Certas comunidades terão proteção anti-COVID mais altos do que outras, que permanecerão relativamente vulneráveis. O vírus se espalha de forma desigual assim como as estratégias para detê-lo. Não temos uma estratégia definida que envolva vacinas , bloqueios e outras medidas sanitárias. Agora, as somas dessas decisões díspares serão refletidas em nossa imunidade.

A imunidade coletiva é a chave para acabar com uma pandemia. Mas sua construção começa com cada indivíduo. Até agora sabemos que a imunidade contra o coronavírus não é plenamente conhecida. Ainda não podemos dizer exatamente qual a diferença de proteção entre um indivíduo com esquema vacinal completo e recentemente infectado e outro com duas doses da vacina e também infectado recentemente.Infecções e vacinas adicionam proteção; o tempo a diminui. Nem a imunidade induzida por vírus nem a imunidade induzida por vacina parecem durar muito tempo . Uma exceção são as doenças graves : experiências com outros coronavírus mostraram que a proteção é mais duradoura.

Nem sempre é óbvio por que as pessoas respondem de maneira diferente aos mesmos vírus ou vacinas. Mesmo dentro de um mesmo grupo demográfico , alguns geram respostas realmente robustas, e outras simplesmente nunca o fazem.

Dois anos, bilhões de doses de vacinas, milhões de infecções documentadas , a taxa de vulnerabilidade em nossa população nunca foi maior ou mais difícil de manejar. Algumas pessoas de alto risco, que nunca foram vacinadas ou infectadas, não têm praticamente nenhuma proteção; muitos indivíduos jovens e saudáveis ​​foram triplamente vacinados e estão adquirindo infecções pela Omicron. É uma verdadeira varredura que o vírus vem fazendo com um abismo de possibilidades imunológicas. E o cenário do surgimento de uma outra variante instável e com repercussões imprevisíveis, distinta do Omicron e de tudo o que vimos antes,pode derrubar todas as suposições imunológicas otimistas que estabelecemos e nos enviar para mais uma onda devastadora.

Quando novas variantes aparecerem, elas mais uma vez  revelarão as nossas falhas e descaso com a pandemia . Provavelmente veremos ilhas de controle separadas por mares imensos de desigualdades de recursos vacinais e medidas de contenção : a proteção imunológica entre os privilegiados, a susceptibilidade em comunidades pobres, rurais ,de poucos recursos além dos negacionistas não vacinados.


sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Indignação

 É lugar comum que se renovem esperanças a cada inicio de um novo ano. È como se a

sensação de alivio e recomeço precisasse de uma evasão , algo que permita viver e

compreender o incompreensível . Por isso a esperança falha. Ela é uma forma de passividade .


Uma expectativa que parte de um otimismo e que , normalmente , gera poucas ações que

realmente mudem o rumo destes tempos tortuosos. Ano após ano , para quem nutre a

esperança , a inércia acaba frustrando mais do que acalentando.


Proponho que façamos votos de indignação. Entendo que durante o tempo de confrontação a

uma situação -limite coletiva em que nos encontramos ,só o rechaço das pessoas supera a

impotência diante da presença selvagem da realidade.

Homens e mulheres veem a antiga crença no próprio protagonismo , ao optarem pela

esperança , reduzida a um adaptar-se às forças que os ultrapassam , a um reagir a elas , a um

viver com elas. Às vezes é muito tarde para descobrir que em momentos como vivemos , não

saõ as pessoas que se moldam a si mesmas, elas se moldam às circunstâncias que são impostas

pelas mentiras , pelas ideologias , pelo aniquilamento progressivo do pensamento crítico.

A pandemia está mostrando a lição mais clara da modernidade : o mundo não existe para os

homens. Seu tempo não é o deles. O vírus virá no seu tempo e irá embora no seu tempo

também. E partirá , não pela esperança, não porque os homens realmente assim o queiram

(eles estão destinados , em sua grande parte , a olharem apenas para o espelho). Parte porque

foi esse o caminho do seu próprio desenvolvimento. Se não for pela indignação a

inevitabilidade darwiniana se dará pelo nascimento , crescimento , ápice e um lento

desaparecimento.

A pandemia impõe uma temporabilidade própria ao coletivo humano. Tudo se abala. A

sociabilidade já fragilizada se altera até se tornar irreconhecível. A infecção comportamental se

espalha pelo tecido da vida em comum e o paralisa , definha , atrofia , corrompe , apodrece.

Está claro que as finalidades , ambições e esperanças dos homens – tudo o que os impele ao

futuro – são suspensas . Com a suspensão do futuro , o tempo se achata. E se repete na sua

linearidade.O sentimento de sucessão se dissolve no da extensão . E aqui , se nutridos apenas

pela esperança , se experimenta o tédio , em escala coletiva.Renovam-se os mesmos votos , os

clichês calcados em ébrias emoções , as mesmas mensagens pueris , os mesmos rituais

protocolares. E passa-se a aceitar o inaceitável.

A indignação consiste em recomeçar . Tudo é restaurado ao inicio , e , no entanto , nem por

isso o mundo é novo. Um recomeço sem renovação pode parecer um pesadelo. O que nos

resta é uma revelação pela constatação do tempo e dos contextos em que vivemos.É o

exercício do absurdo . Precisamos da reflexão sobre o absurdo das mortes evitáveis em nosso

país. O mesmo absurdo que se impõem à consciência a comparação entre o apelo que

lançamos ao mundo a partir de nossas aspirações íntimas e a acolhida fria com que ele nos

recebe. O mesmo absurdo negado com veemência por aqueles que rechaçam as evidências de

que navegamos numa nave dirigida pela vulgaridade e irracionalidade. A superposição da crise

sanitária e da deliquescência da democracia sob o peso do populismo em que vivemos ganha

contornos dramáticos.

A indignação trata antes do fato de que , a despeito de toda ciência e toda tecnologia

empregadas pelo gênero humano , esse mundo parece incompreensível , ou seja , irredutível

às necessidades e às vontades humanas. Segue arisco e inassimilável . Falta a seu mecanismo a


causa final de todas as causas finais , que asseguraria sentido de unidade , um plano centrado

e coerente à medida do homem .

A esperança , muitas vezes, resulta apenas de momentos temporariamente vividos que a

ilusão teima em prolongar na memória como se fossem infinitos.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

boas noticias em relação à Omicron

 

A revista Nature acaba de publicar estudos atualizados em relação à variante Omicron.

Em contraste com a Delta,a Omicron é menos fusogênica e sua Spike é fracamente clivada. Por que isso importa? A eficiência da clivagem da proteína Spike, a fusogenicidade e a patogenicidade se correlacionam.

A análise mostrou que a Omicron é cerca de 3 vezes e 5,6 vezes mais transmissível do que a Delta na África do Sul e no Reino Unido, respectivamente.

Em estudos animais (hamster sírio) em comparação com a Delta e o SARS-CoV-2 original, a Omicron foi bem menos patogênica , com baixa replicação no pulmão. Estes dados sugerem que a eficácia da clivagem do SARS-CoV-2 S e sua fusogenicidade  estão intimamente associadas à patogenicidade.

Em resumo:

 • Omicron infecta mal e se espalha também de forma muito menor no pulmão

 • Evoluiu para exibir maior transmissibilidade e patogenicidade atenuada

 • A patogenicidade da Omicron é atenuada em comparação com Delta e até mesmo seu ancestral SARS Cov-2a

 • Os dados mostram que o SARS-CoV-2 pode evoluir para atenuar sua patogenicidade, porque a Omicron é filogeneticamente classificadao como uma linhagem descendente B.1.1

Porém :

É IMPORTANTE observar que a gravidade da doença em humanos NÃO é determinada apenas pela replicação do vírus, mas também pela resposta imune do hospedeiro à infecção.Portanto , estar protegido é a melhor forma de enfrentar essa nova variante.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

sobre a Omicron e a Delta

 

Diante do que estamos observando até agora , é provável que a Omicron irá superar a Delta, assim como Delta substituiu Alfa, Beta, Gama, etc ...

Dependendo da mistura de transmissibilidade intrínseca e escape imunológico da Omicron  e a consequente evolução do processo, poderíamos observar:

 1. Deslocamento da Delta pela Omicron

 2. Co-circulação das variantes a longo prazo

 3. Onda Omicron seguida pelo ressurgimento da Delta e extinção da Omicron

De uma maneira intuitiva, quanto mais escape imunológico a Omicron tem da imunidade específica formada pela Delta, mais as duas variantes terão nichos ecológicos distintos e, portanto, são capazes de coexistir .

A hipótese é a seguinte : a Delta está em equilíbrio endêmico. O crescimento epidêmico é balanceado pela imunidade da população ( ou seja, a variante continua a circular devido à diminuição da imunidade).A Omicron é introduzida e dependendo de sua transmissibilidade e seu grau de escape imunológico, ela se espalhará mais ou menos rapidamente .

Supondo que a taxa de transmissibilidade (Ro) da Delta seja 6, com transmissibilidade intrínseca mais baixa e maior escape imunológico (Omicron Ro = 4, escape imunológico = 66 %) ,a onda da Omicron tem relativamente pouco impacto sobre a Delta. Com transmissibilidade intrínseca moderada e escape imune (Omicron Ro = 6, escape imune = 50 %) , Omicron tem mais na Delta. E com maior transmissibilidade intrínseca e menor escape imunológico (Omicron Ro = 8 , escape imunológico = 33 %) , a onda de Omicron realmente derruba a Delta.

A co-circulação ocorre quando Ro é semelhante entre Omicron e Delta e / ou quando há pouca imunidade cruzada, e o deslocamento ocorre quando há imunidade cruzada forte e Ro desequilibrado.

Se compararmos com a gripe sazonal, o deslocamento é em grande parte a regra, com novas cepas substituindo a diversidade existente.

Embora esta questão de deslocamento versus co-circulação não seja imediatamente crítica para a compreensão da pandemia ou resposta de saúde pública, sua resolução terá impacto significativo no eventual estado endêmico do SARS-CoV-2. Se a Omicron e a Delta co-circularem então vacinas anuais deveriam ser formuladas e nós poderíamos esperar altos níveis de circulação viral.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

mais noticias da Omicron

 

Aprendemos,mas ainda não se sabe muito sobre a Omicron.

Uma tendência preocupante vem se repetindo: essa variante está se espalhando rapidamente. Na África do Sul , Reino Unido e Dinamarca - países com a melhor vigilância de variantes e alta imunidade contra COVID - os casos de Omicron estão crescendo exponencialmente. A variante já superou a Delta na África do Sul e pode em breve fazer o mesmo em outros lugares. De acordo com estimativas preliminares, cada pessoa com Omicron está infectando 3–3,5 outros.O que é quase igual à rapidez com que o coronavírus se espalhou quando se tornou global no início de 2020.

Em outras palavras, o Omicron está se espalhando em populações altamente imunes tão rapidamente quanto o vírus original em populações sem imunidade alguma. Se isso se mantiver e não for controlado, uma grande onda Omicron virá - maior do que esperaríamos com a Delta.A Omicron ameaça evadir a imunidade que pensávamos ter.

Isso não significa dizer que o relógio da pandemia foi zerado para o início de 2020. As Vacinas e infecções anteriores podem atenuar os piores efeitos do vírus. Mesmo que a proteção contra infecções diminua, o que nós esperamos diante das mutações da proteína spike do Sars cov2, a proteção contra doenças graves e morte deve ser mais durável. Neste momento a métrica de hospitalizações, ao invés de casos, pode ser uma medida mais fiel do impacto do vírus.  Porém , com os casos aumentando drasticamente, mesmo uma pequena porcentagem de pacientes que irão adoecer pode se transformar em muitas hospitalizações de uma só vez. Essa pequena proporção de doenças graves, se multiplicada por milhões de casos, será ruim.

Esta é a matemática simples que devemos ter em mente: uma pequena porcentagem de um número enorme ainda é um número grande.  Analisando as tendências iniciais da África do Sul, Reino Unido e Dinamarca, uma grande onda de Omicron é muito possível, embora não garantida. Se quiséssemos pensar de uma forma mais tranquila , poderíamos notar que os números absolutos de casos da  Omicron detectados até agora são tão pequenos que podem ser distorcidos ao acaso, e poderíamos estar superestimando o crescimento da variante ao procurá-la especificamente. Mas a Omicron está aumentando consistentemente nos três países que procuram ( fazem o sequenciamento genético) mais por ela e, portanto, provavelmente aumentando silenciosamente em todos os outros países.

Ao mesmo tempo, a Omicron não parece terrivelmente virulenta até agora - mas essa observação vem com ressalvas importantes. Os médicos na África do Sul, onde a Omicron já é dominante, não viram tantos casos graves como as ondas anteriores . Outros países com um pequeno número de Omicron também não encontraram pacientes muito doentes. Mas há vários motivos para acreditar que as notícias sobre a gravidade podem ser menos otimistas do que parecem atualmente. Em primeiro lugar,ainda é muito cedo. As infecções levam semanas para ,eventualmente,se tornarem graves. Em 2020, o primeiro caso da covid 19 nos EUA foi confirmado em 20 de janeiro de 2020 ; a primeira morte oficial de COVID não foi relatada até 29 de fevereiro . A imagem pode mudar com o tempo.

Os dados iniciais de gravidade também são confundidos pelo perfil de pacientes que estão adoecendo. As pessoas que contraem o vírus no início de uma onda podem ser desproporcionalmente jovens e saudáveis. A própria população da África do Sul é bastante jovem, com uma idade média de 28 anos, em comparação com os 38,5 dos Estados Unidos. E embora as taxas de vacinação sejam baixas na África do Sul, onde menos de um quarto está totalmente inoculado , a imunidade de infecções anteriores é muito alta, com uma estimativa sugerindo 62 por cento. Um bom número de casos de Omicron são provavelmente reinfecções. Os casos em pessoas jovens ou previamente infectadas, ou ambos, devem ser geralmente leves. Se os casos de Omicron nesta população fossem mais graves, isso seria um sinal catastrófico.

Estamos aguardando para entender o efeito da Omicron nas pessoas vacinadas. Mesmo que a maioria dos casos  continue a ser leve entre os vacinados, a regra é a mesma. Aumentando o numero de casso exponencialmente implica em maiores  necessidades de cuidados.

 A Omicron foi um grande salto na evolução. Em poucos meses o vírus mudou tanto quanto  muitos pesquisadores esperavam que mudasse no espaço de quatro ou cinco anos.

A questão da “pequena porcentagem de um grande número” tem estado conosco desde o início da pandemia. O coronavírus é muito menos mortal do que outros vírus emergentes que deram sinais de alarme no passado - SARS, MERS ou Ebola - mas é muito mais transmissível.

Mas não estamos na mesma posição que no início de 2020 porque agora temos as ferramentas para controlar a Omicron. E graças aos cientistas da África do Sul, que perceberam o risco dessa variante muito cedo, temos tempo para colocá-los em prática. As vacinas provavelmente continuarão protegendo contra infecções graves, e uma terceira injeção provavelmente aumentará essa proteção. Compreendemos melhor a transmissão do vírus pelo ar e como evitá-la com máscaras e ventilação. Temos antivirais no horizonte. Temos testes diagnósticos mais ágeis. Sabemos que o distanciamento social já controlou o vírus antes.

Só depende de cada um e de todos.

 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

a Omicron parece não ser tão recente...a história de uma convenção

 

Antes mesmo de receber um nome, é possível que a variante Omicron tenha se espalhado em Nova York e nos Estados Unidos.

Uma convecção que reuniu milhares de pessoas (mais de 50 mil) aconteceu em Manhattan durante três dias em novembro reunindo pessoas aficcionadas pelos programas de animação japoneses conhecidos como anime.

Na multidão estava Peter McGinn, um analista de saúde de 30 anos,morador de Minneapolis. Ele participou de painéis de discussão, conversou com estranhos sobre seu podcast de anime e, à noite,esteve com vários amigos. Depois de voltar para casa, soube que um amigo da convenção - um fã da Carolina do Norte - tinha testado positivo para coronavírus. Nos dias seguintes muitos mais de seus amigos da convenção também teriam o teste positivo.Ele também testou positivo. Esse acontecimento ocorreu em 23 de novembro, um dia antes da maioria dos cientistas ter ouvido falar da nova variante que estava se espalhando pelo sul da África. A Organização Mundial da Saúde ainda não havia dado um nome à variante - Omicron. Mas já estava presente nos Estados Unidos, sem ser detectada.

Na primeira semana de Dezembro,a autoridades de saúde em Minnesota examinaram as amostras de vírus em uma série de testes recentes. Uma delas - do Sr. McGinn - mostrou as mutações da Omicron.Esse resultado, anunciado pelas autoridades de saúde de Minnesota em 2 de dezembro, é o primeiro caso conhecido de propagação do Omicron nos Estados Unidos.  O anúncio veio mais de 10 dias após o término da convenção de anime, deixando as autoridades de saúde para trás, antes mesmo de perceberem que a corrida contra a Omicron  já havia começado.

As autoridades de saúde da cidade de Nova York enviaram dezenas de milhares de e-mails e mensagens de texto aos participantes da convenção, pedindo-lhes que fizessem o teste. Mas até agora as autoridades ainda não confirmaram qualquer transmissão do Omicron na convenção Anime NYC.

É possível que a convenção tenha contribuído pouco para a disseminação da Omicron. Mas parece mais provável que o vírus esteja, novamente, ultrapassando uma resposta de saúde pública que seja pró ativa. A ressaltar que para participar da convenção não se exigia vacinação completa , apenas uma dose já era necessária. As pessoas se sentiram seguras enquanto mostravam seu comprovante de vacinação.

Não está claro se o Sr. McGinn foi infectado na convenção ou em uma ocasião muito próxima. Mas o contatos foram em dias consecutivos no congresso com outros participantes. Das cerca de 30 pessoas com quem ele se lembra de ter socializado na cidade de Nova York, cerca da metade apresentou resultado positivo para o coronavírus, disse McGinn. No entanto, nenhum dos estados onde vivem anunciou se essas pessoas também tinham a variante Omicron ( não foram ainda sequenciadas amostras ).

Muito permanece desconhecido sobre aa Omicron, incluindo sua letalidade ou o grau de proteção que as vacinas da Covid fornecem contra ela. Os epidemiologistas voltaram a falar em achatar a curva, por meio do uso de máscaras e de um comportamento mais cauteloso. E eles estão pedindo ação agora, para evitar uma repetição dos erros cometidos em março de 2020, quando as autoridades de Nova York demoraram a entender a rapidez com que o vírus estava se espalhando pela cidade.

Nos últimos quatro dias, o programa de sequenciamento do genoma de Nova York detectou sete casos de Omicron entre residentes na cidade de Nova York, embora as autoridades de saúde tenham fornecido poucas informações sobre os casos, não existem informações se eles participaram da convenção