terça-feira, 30 de abril de 2019
perdão
A recusa da violência é dúbia em várias passagens dos ensinamentos religiosos.
A lei de talião é citada no Torá (olho por olho , dente por dente)...mas também existe a famosa preconização do "não te vingarás nem guardarás rancor".
Buda pregava a recusa categórica da violência.
Jesus chega a pedir o amor aos inimigos e perdoa , na cruz , a todos os que o insultaram e martirizaram .
A verdadeira ética da não violência chama-se perdão.
O perdão é um ato não racional.A racionalidade está no âmbito da justiça que é a reparação da injustiça sofrida.
O perdão é a unica atitude realmente "curadora".Sem ele , estaríamos presos aos nossos atos e consequências.
Perdoar não é esquecer , é amenizar a ferida.Por ser uma atitude sobre-humana todas as religiões o consideram como o ponto máximo da espiritualidade
quinta-feira, 18 de abril de 2019
medicamentos em psiquiatria
Roland Kuhn é um psiquiatra suiço.Ele descobriu o primeiro antidepressivo , a imipramina , em 1956.Em pouco tempo ele alertou que o uso da droga poderia negligenciar a própria experiência do paciente.O médico deveria entender que a droga só poderia funcionar se o individuo fosse entendido com suas particularidades.
Dez anos após a descoberta a medicina passou a valorizar os chamados estudos randomizados que superaram os clássicos estudos de experiências pessoais.Essa metodologia levou a uma constante busca pelas evidências e o conceito de saúde mental se tornou um sinônimo de ausência de sintomas mais do que um retorno do paciente ao seu estado de base , seu estado de humor e personalidade antes do inicio de qualquer doença
Os antidepressivos são usados hoje em um em cada 8 adultos e adolescentes nos USA e 1/4 deles estão em uso há mais de 10 anos.
O diazepam (valium) foi introduzido na década de 60 e dez anos depois um em cada 10 americanos usava o produto
Os chamados inibidores de captação da serotonina (Prozac e Zoloft) foram desenvolvidos nos anos 80 sem nenhum estudo realmente convincente que realmente provasse o seu beneficio.Essa idéia foi fortemente propagada pela industria farmacêutica sem suporte de evidência
a idéia que as drogas mudassem um determinado balanço quimico é na verdade uma uma metáfora util
quarta-feira, 17 de abril de 2019
a decisão racional
O encontro médico –paciente deveria estabelecer uma relação
de credibilidade e entendimento.
Mas em algumas situações , principalmente as
que envolvem decisões cruciais (como o prolongamento da vida) , o conflito
aparece na hora da tomada de condutas.
Este é naturalmente doloroso em seu
desenlace pois é nutrido por adversidades baseadas no senso moral , nos
princípios da bioética e nos valores das pessoas envolvidas
.A neurociência
demonstra que o processo de tomada de decisão é um campo de estudos fascinante.É
um dos processos básicos cognitivos relacionados ao comportamento humano.
Recentemente
as pesquisas mostraram que a decisão pode ser originada através de quatro
categorias conhecidas como : a intuitiva (baseada nas preferências pré
existentes e o senso comum) , a empirica ( baseada na experiência e estimativa)
, a heurística (calcada nas teorias científicas) e a racional ( a mais complexa
– que requer uma dinâmica de avaliação de riscos e valores).
Regiões do nosso
cérebro têm sido implicadas como origem das decisões empíricas e intuitivas (as
áreas orbitofrontal e ventromedial).Estas são mais influenciadas pela
emoção.Áreas como a região dorsolateral préfrontal competem com estas respostas
e facilitam as decisões racionais e heurísticas.
Os conflitos que criam obstáculos para a equipe médica tem
até uma lógica: temos uma formação que é construída em princípios da bioética e
que servem como uma espécie de código de conduta.Incorremos no risco de
generalizar as particularidades
Não é surpreendente que os médicos atuem predominantemente de
modo racional e que , muitas vezes , tenham uma visão bastante diferente de
seus pacientes e familiares que estarão oscilando entre a tomada de decisão
emocional e experimental , raras vezes modulada na estimativa de risco e
valores.Se nós pretendemos nos aproximar de um real contato com todos que
envolvem o paciente precisamos dar um passo para trás e analisar nossas
racionalidades construídas em bases essencialmente científicas e entender
melhor os pontos de vista daqueles que possuem uma diferente visão.Não podemos
criar uma terrível e fatal ilusão : a de que é possível ir ao cerne do
conhecimento sem recorrer a nossa compreensão da vida e da experiência humana.
quinta-feira, 11 de abril de 2019
sexta-feira, 5 de abril de 2019
a vida nas ruas
Em 1909 quando as carruagens (ou carroças) eram os
automóveis dos dias de hoje uma revista chamada “Country Life in America”
publicou uma proposta de ética do bom motorista , ou ,na época , condutor de cavalos.Estes
deveriam tomar extremo cuidado para evitar que os animais não colidisssem com
outras pessoas e veículos.
Hoje estamos prestes a experimentar a convivência com carros
sem motoristas.Os humanos antes de serem liberados para dirigirem são
submetidos a avaliações de capacitação. Mas para as mãquinas ainda não temos
comparáveis aptidões.Como resultado as ruas em breve serão uma espécie de
laboratório vivo , uma experiência perigosa pois os carros sem motoristas serão capazes de perceberem as pequenas nuances que envolvem o comportamento humano ?
. Por exemplo : a percepção de risco quando uma criança está brincando com uma
bola na calçada.
A conferir
segunda-feira, 1 de abril de 2019
Trajetória
Nós vivemos imaginando que nossas vidas seguem um tipo de trajetória , como um enredo de uma novela , e reconhecendo desta forma nos pretendemos ser os seus autores.
Mas frequentemente sentimos um senso de precariedade , uma suspeita de que , mesmo seguindo rigorosamente as regras , não teremos controle sobre a história e muito menos o direito a um final feliz.É este o tema do livro “Cruel Otimismo” de Lauren Berlant que sugere que o que nos move de fato é a persistência , o desejo às vezes não perceptível de ir superando as adversidades.
Vamos aprendendo sobre o que nos faz mal.Nosso status emocional vai calibrando as ideías de como ter saúde etc.Mas a busca pela boa vida tem sempre as suas derrotas e um misto de fantasia e realidade nos desvia do racionalismo.Berlant chama estes momentos de “audácia da esperança” : um atalho , muitas vezss sutil , no nosso caminho que mostra que a trajetória tem que ser um constante improviso.A proposta de reflexão do livro também é entender a vida que é levada através de pequenas ambições.O trajeto deve ser percorrido mesmo que , ocasionalmente , naõ esteja bem sinalizado.Não existirá sempre a certeza que estejamos no rumo mais adequado.Pois há coisas que não podem acontecer na sua totalidade até o fim.Muitas são grandes demais para encontrar o seu espaço nos degraus dos fatos.Vamos percebendo que a vida em sua essência tenta acontecer numa espécie de teste da realidade , uma prova de que esta pode suportá-la. E quando olhamos , depois de muito tempo a nossa biografia, podemos nos assustar com pa´ginas em branco espalhadas entre tantas histórias
O homem consiste em tentar ser o que não pode ser,e isto é o que definimos com um verbo apropriado : viver
De certa forma a lição do livro é a persistência mesmo que o enredo de nossa história esteja prestes a terminar e nós , seus pretensos autores , não saibamos como.
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