O filósofo sul coreano Byung-Chul Han nos ensina porque na
nossa contemporaneidade estamos chegando ao colapso com muito mais frequência
do que no passado.
O século XX foi marcado pela negatividade. Havia inimigos
declarados claros, limites visíveis, proibições que moldavam a vida.Tudo que
fosse repressivo era externo: o Estado, o partido,o sistema. Estava claro o que
nos oprimia.
O século XXI desmantelou essa estrutura. Agora tudo é
possível, permissivo. De repente podemos assumir qualquer protagonismo.
Han visualiza que o inimigo não desapareceu , ele passou a
habitar o nosso interior. Passamos a ter “escolhas” próprias.
Essa é a sociedade do desempenho que procria o Burnout , a
ansiedade,a depressão. Passamos a assumir o papel de gestores.Qualquer colapso
é uma falha pessoal e não uma previsibilidade de um sistema gerado para que nos
culpássemos por tudo.
Então surge um outro protagonista infalível : o celular.
Quando a vida inteira se resumiu a produzir cada vez mais, o
silêncio se torna o único lugar onde essa cobrança não tem para onde fugir.E
nesse silêncio nos perguntamos : quem sou eu quando não estou produzindo nada?
A resposta é dada imediatamente pelo celular : o
pertencimento imediato, o estímulo incessante, a sensação de protagonismo, de
reconhecimento. Nunca ficamos mais interiorizados com nós mesmos .Perdemos a
capacidade da racionalidade crítica e da contemplação (ela é única em produzir
novas idéias ao invés de sermos meros reagentes a estímulos).
Se eliminamos o silêncio, exaurimos a profundidade do
pensamento. O que resta é uma névoa que esconde a vida real e projeta um mundo
distópico. O que o século comercializa com muita propriedade é um inebriante
mundo digital. Uma vida onde o silêncio dói.
Ninguém se propõe a responder a uma pergunta : você consegue
existir sem produzir, sem consumir e sem ser visto, e ainda se sentir inteiro?
A era da materialidade não tem precedentes. O simples ato de
estar consigo mesmo é uma experiência que a maioria das pessoas ativamente
evita
O celular é só o espelho mais portátil dessa condição.
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